Empresas como Avon, Natura, Tupperware e Amway, por exemplo, já praticam o Comércio Social há décadas. Elas utilizam as redes sociais dos seus colaboradores como canal de comercialização. No entanto, se nas décadas passadas as redes sociais eram limitadas no tempo e espaço e era necessária uma logística física para articular as pessoas, os recentes avanços nas tecnologias digitais de informação e comunicação, tecnologias de banda larga de conexão e tecnologias móveis alavancaram o comércio social por meio das redes sociais digitais online e o e-commerce. Dessa forma, o uso da dimensão social no comércio tornou-se uma estratégia extremamente promissora no ambiente digital online.
Assim, no contexto digital, podemos definir o Comércio Social (s-commerce) como um sub-conjunto do comércio eletrônico (e-commerce) que emprega ferramentas colaborativas de redes sociais para auxiliar na compra e venda on-line. Em outras palavras, se o e-commerce é a compra e venda online, o s-commerce é a compra e venda online com milhões de pessoas ajudando no processo.
Para compreender a natureza do s-commerce, é preciso entender as suas duas essências formadoras: o social e o comércio. Assim, vejamos:
1) Social – Por mais óbvio que seja, muitas empresas ainda não entenderam que social é a interação de pessoa-pessoa e não empresa-pessoa ou pessoa-empresa. Assim, para atuar no nível social as empresas precisam motivar a interação “social" entre os consumidores para participar, contribuir e criar experiências. O “social” é a motivação chave que guia a geração de conteúdo pelos usuários das redes sociais (UGC – user generated content). No cenário digital atual, pessoas estão se conectando cada vez mais a pessoas, e não a instituições, e cada vez mais pessoas adotam e se fidelizam a redes sociais online.
2) Comércio – A atividade de comércio tem a ver com compra e venda, com resultados, com ROI, e envolve extrair valor mensurável e otimizado de uma determinada estratégia. Comércio não é branding, awareness, mídia, networking ou computação. O objetivo do comércio é comprar e vender.
Dessa forma, o comércio social é a estratégia de conectar consumidores a consumidores e alavancar essas conexões com propósitos comerciais. O comércio social não está relacionado apenas com motivar as pessoas a falarem sobre sua marca nas redes sociais, mas motivar as pessoas a fazerem compras por meio do canal social. Ou seja, o comércio social integra ambientes de venda (B2B ou B2C) a formatos de redes sociais.
Podemos citar como casos interessantes de comércio social: a Amazon, com seus sistemas de reviews e recomendações; a FIAT, com o projeto do Fiat Mio; a Starbucks, com o site MyStarbusckIdea; a Camisetaria, onde os clientes podem contribuir com design para as camisetas que são produzidas e compradas; o sistema de e-commerce da Zugara, que usa realidade aumentada que permite ao usuário tirar fotos de si usando as roupas para enviar para amigos e obter sugestões sobre qual opção comprar; o NBuilding no Japão, que por meio de QRcodes dinâmicos na fachada e uma aplicação de realidade aumentada, conecta as pessoas do interior e exterior da loja; a Dell, cuja conta principal no Twitter (@DellOutlet) alcançou milhões de dólares em vendas.
As estratégias de comércio social podem envolver ações dentro e fora de um site de e-commerce. O intuito dessas estratégias é engajar o consumidor para que participe colaborando com a marca de forma a gerar vendas. Ações on-page para alavancar o s-commerce são:
- Programas de recomendação (ex: Amazon – quando você compra algo, o site recomenda produtos relacionados que outros consumidores compraram)
- Sistema de reviews/ avaliações / recomendações feitas pelos consumidores (ex: Submarino, Americanas, Amazon, Saraiva e muitas outras)
- Sistema participativo dentro do site de e-commerce que envolva o consumidor a colaborar – open innovation (ex: Camisetaria)
Ações off-page (fora do site de e-commerce) que impulsionam o comércio social são:
- SMM Social Media Marketing para gerar tráfego via mídias sociais- essas ações envolvem atuação nas redes sociais que o seu público-alvo frequenta (ex: Dell no Twitter)
- SEM Search Engine Marketing – ações que visam gerar tráfego para o site de e-commerce via buscadores (Google, Yahoo, Bing, etc.), atraindo consumidores para compra
- Sistema participativo, fora de um site de e-commerce, que envolva o consumidor a colaborar- open innovation (ex: Fiat Mio, MyStarbucksIdea, etc.)
Considerando-se que: a) 8 em cada 10 brasileiros participam de algum tipo de rede social online; b) o comércio eletrônico no Brasil faturou R$ 6,7 milhões no 1º semestre de 2010 (WebShopers); c) 74% dos compradores online observam as recomendações de produtos (eMarketer) e; d) 86,3% dos compradores online considera lojas eletrônicas confiáveis (e-bit); podemos dizer que as plataformas e a cultura digital que estruturam o s-commerce no Brasil começam a decolar e se popularizar. Assim, a utilização estratégica do Comércio Social passa a ser uma opção cada vez mais interessante e acessível a todo tipo de empresa comercial, inclusive as PMEs.







