Por Alexandre Inagaki
Durante um evento sobre comunicação e marketing político, o sociólogo e consultor Antônio Lavareda, que já trabalhou em 73 campanhas eleitorais no Brasil, ao comentar o uso de mídias sociais nas eleições deste ano, fez o seguinte comentário: “Temos os meios, ferramentas, técnicas… Só não temos o Obama”. Sua afirmação, em forma de anedota, sintetiza o impasse que marqueteiros políticos nestas eleições de 2010 vivem: todos querem repetir o mesmo sucesso da campanha na internet que resultou na eleição de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos em 2008.
Mas quem disse que um fenômeno como o movimento em torno do candidato democrata, que ganhou força espontaneamente, gerou vídeos com milhões de visualizações no YouTube (como o clipe “Yes, We Can”, organizado por will.i.am, do grupo Black Eyed Peas) e uma base formada por13 milhões de e-mails, uma rede de 3 milhões de doadores individuais e cerca de US$ 500 milhões arrecadados de forma online, pode ser repetido? No entanto, o candidato incauto que procurar em ferramentas de busca por termos como “marketing político digital” encontrará diversos sites prometendo aplicar as técnicas da campanha de Obama com sucesso, a partir de investimentos de até R$ 20 mil para quem deseja se tornar deputado federal ou estadual.
Ben Self, um dos principais estrategistas da campanha online de Obama (e consultor contratado da campanha petista à Presidência neste ano), disse: “Descubra a paixão das pessoas. É a chave para engajá-las em uma causa.” Não basta, pois, criar um blog, um perfil no Twitter e uma comunidade no Orkut para que um político se sinta “inserido” no universo da social media; tecnologia até cria oportunidades, mas certamente não decidirá eleições. Do mesmo modo, é bom lembrar que, nas mídias sociais, o político que agir como se estivesse num palanque, discursando para multidões sem ler replies, comentários de blogs ou tópicos de fóruns, será imediatamente rechaçado. É como bem afimou o professor de Comunicação e Marketing Eric Messa: “Nas redes sociais é preciso ser discreto e adequado. Ouvir mais e falar menos. É preciso dar o poder de voz ao eleitor.”
As eleições de 2010, de qualquer modo, trarão esse componente novo no tabuleiro das campanhas: a voz ativa e anárquica da multidão “prosumer” que reage proativamente a cada texto, cada vídeo, cada peça publicitária que lhes é exibida. Sites como O Brasil Pode Mais, que reúne fotos de internautas ironizando a pose do candidato do PSDB José Serra em recente capa da revista Veja, ou Porra Dilma, com comentários ácidos a fotos da ex-ministra da Casa Civil no governo Lula, mostram que, a despeito das orientações e conteúdos produzidos por marqueteiros e estrategistas de campanha, não há como controlar as repercussões neste sarcástico mundo novo 2.0, que, definitivamente, não é para inocentes.
Há algum tempo a consultora em tecnologia móvel Bia Kunze havia comentado que o Twitter não era a Suíça, mas muitos políticos também estavam abrindo contas lá. Ironias à parte, o fato é que qualquer twitteiro que quiser enviar recados diretamente aos pré-candidatos à Presidência encontrará todos eles por lá, a saber (por ordem alfabética):
Dilma Rousseff (PT) – @dilmabr
José Maria de Almeida (PSTU) – @zemaria_pstu
José Maria Eymael (PSDC) – @eymael
José Serra (PSDB) – @joseserra_
Levy Fidélix (PRTB) – @levyfidelix
Marina Silva (PV) – @silva_marina
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) – @pliniodearruda
Embora já saiba de antemão que a maior parte do eleitorado acabará por se digladiar em discussões acirradas ao pior estilo Fla x Flu, torço para que os internautas mais esclarecidos aproveitem a internet para buscar por informações relevantes capazes de auxiliar na busca por um voto mais consciente. E recomendo fortemente que, desde já, você guarde em seu bookmark estas URLs:
http://br.noticias.yahoo.com/especiais/id_congresso
http://www.excelencias.org.br
http://www.transparencia.org.br
http://www.votoconsciente.org.br
http://contasabertas.uol.com.br
http://www.congressoemfoco.com.br
http://noticias.uol.com.br/politica/politicos-brasil
http://www.asclaras.org.br
Fonte Yahoo Brasil







