Como funciona o Big Brother das marcas nas redes sociais?

O universo das mídias sociais pode parecer caótico à primeira vista. E de fato há muitas razões para pensar que se trata de um ambiente cujo acompanhamento é impossível ou, no mínimo, complicadíssimo:  diversos sites, uma infinidade de aplicativos, posts e comentários que surgem freneticamente.

Mas as empresas têm hoje ferramentas capazes de organizar o dilúvio da informação que trafega pelas mídias sociais e, assim, obter melhores condições para preparar suas estratégias digitais.

Embora cada ferramenta tenha sua peculiaridade, em linhas gerais, os instrumentos disponíveis no mercado se propõem a fazer um rastreamento do boca-a-boca digital a respeito das empresas – e também por temas de interesse, como política, esportes etc. – e emitir relatórios com informações sobre o que se diz das marcas, quando, como, onde, quantas vezes e por quem.

Comportamento digital

Alguns dos softwares possuem um refinamento maior, como a classificação da relevância dos consumidores que fazem comentários e a separação por contexto – dessa forma, sabe-se quando a palavra “Oi”, por exemplo, foi utilizada para se referir à operadora ou é apenas uma saudação.

“Além de orientar as empresas sobre o direcionamento e tratamento que deve ser dado a determinado consumidor por conta do que é veiculado, e com relação à imagem da empresa perante o mercado, saber o que é dito nas mídias sociais é absolutamente importante para a formação de estratégias para o andamento do próprio negócio, seja em ambiente real ou digital”, afirma David Reck, diretor da Enken Comunicação Digital.

É possível utilizar as ferramentas gratuitas disponíveis na própria web e combiná-las com as ferramentas pagas, afirma Enken. “Entre as gratuitas, podemos citar o Yahoo Pipes e Google Buzz e Alerts, entre outros. O ideal é sempre cadastrar o nome da empresa associados à determinadas palavras-chave para que o resultado do monitoramento tenha qualidade”, diz.

Oferta gratuita

Carlos Merigo, gerente de criação e estratégias digitais da agência de comunicação Fischer + Fala!, também é adepto dos recursos grátis. “As próprias ferramentas dos sites são muito úteis. É o caso do YouTube, que informa quantas vezes o vídeo foi visto, do Google e das pesquisas de menções do Twitter”, afirma Merigo.

Entre as alternativas pagas, o publicitário cita OScup, ferramenta brasileira de monitoramento de redes sociais em tempo real. Das internacionais, ele sugere a Press Army, que mostra a importância do internauta em uma determinada rede e emite pontuações para determinar a relevância de blogs.

Lançada em agosto de 2009, OScup monitora resultados em blogs,Twitter, Flickr, Yahoo Respostas, Google News, YouTube, Slide Share, Yahoo Respostas e serviços de RSS. Além de captar o que é dito, a ferramenta indica se a mensagem a respeito da marca é positiva ou negativa.

Boca-a-boca

Outra companhia brasileira que atua nesse setor é a E.Life. Com sede em São Paulo e escritório na Alemanha, a empresa desenvolveu o BuzzMonitor e o TweetMeter. O primeiro varre a blogosfera e mostra como está a imagem de uma empresa com base no acompanhamento do volume de discussões de consumidores on-line em blogs, fotoblogs, wikis, sites pessoais, fóruns e em redes sociais como Orkut, Facebook, MySpace e Linkedin.

O TweetMeter, por sua vez, mapeia o que os usuários comentam sobre  cerca de 1,5 mil marcas. Ele também identifica a repercussão de diversos temas, como política, mídia, esportes ou economia, e as URLs (endereços de internet) mais linkadas.

“Num trabalho de monitoramento de redes sociais, é fundamental haver filtragem de sinônimos. Assim, é possível evitar distorções com termos que sirvam para diferentes situações”, afirma Jairson Vitorino, sócio da E.Life.

No caso o i-Group, companhia paulista que atua nos segmentos de planejamento e consultoria digital, a ferramenta criada é a iBrands. Ela faz um mapeamento de boca-a-boca no Orkut, My Space, Sonico, YouTube, Twitter e blogs. Além de gerar relatórios sobre a presença digital, identifica usuários mais relevantes e cria filtros para evitar desvios provocados por termos sinônimos.

“Um dos principais benefícios do monitoramento é ter informações para saber com quem falar e em que meio”, afirma Ricardo Almeida, diretor-geral do i-Group.

Ibope também presta o serviço

O Ibope Nielsen Online e o Ibope Mídia também realizam o serviço de monitoramento em redes sociais. As divisões do Grupo Ibope lançaram acabam de trazer para o Brasil duas ferramentas para acompanhar o comportamento do internauta nas redes sociais, o BuzzMetrics – Insights e o VídeoCensus, ambas já utilizadas pelo instituto no exterior.

A primeira delas, o BuzzMetrics – Insights,  tem o objetivo de auxiliar agências de publicidades e empresas na compreensão da relação entre o consumidor e a marca nesses ambientes digitais. Para isso, a ferramenta monitora o comportamento dos usuários nas redes sociais e acompanha o conteúdo online gerado pelo consumidor, como, por exemplo, opiniões publicadas no Twitter, Facebook, fóruns e blogs, entre outros canais. Só no Orkut serão acompanhados mais de 1 milhão de mensagens, diariamente.

A cobertura em língua portuguesa do BuzzMetrics é de cerca de 4,5 milhões de blogs, 70 mil fóruns e 50 milhões de comentários, segundo o Ibope.

Por meio de palavras-chave, ele mensura quem e o que se comenta, quem lê, como e quando as discussões acontecem  nas redes. Assim, as empresas podem compreender a percepção do consumidor sobre marcas e produtos.

O VídeoCensus, por sua vez, faz um trabalho semelhante ao BuzzMetrics, mas é voltado especificamente aos vídeos da web. Seu principal alvo não é a quantidade, mas sim o comportamento e a forma como o usuário consome o conteúdo deste tipo de mídia e quanto tempo ele dedica a isso.

 

Fonte: IDG Now!

Chat Online

Newsletter