A discussão sobre o varejo de moda online no Brasil

Dos 75 milhões de internautas brasileiros, apenas cerca de 2% compram roupa pela internet, segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). Recentemente Bruno Campos, Gerente de E-Commerce da Nike, iniciou uma discussão calorosa sobre o mercado de moda no Brasil canal E-Commerce Brasil do Linkedin que rendeu bons conteúdos e visões de diversos players do mercado. Também nos trouxe boas notícias!

Apesar da desconfiança, pesquisa do e-bit mostra que em 2010 o mercado de moda alcançou a posição de sexta categoria mais vendida – no ano anterior não aparecia entre os 20 maiores. Esta categoria já foi responsável por 6% das vendas, que representa 2,4 milhões de pedidos. Considerando os R$ 14 bi de faturamento, chegamos no resultado de R$ 840 milhões em vendas.

In Hsieh, Executivo do E-Commerce Brasil, credita parte deste crescimento aos clubes privados de compra. “Players comoPrivalia e BrandsClub, que começaram com moda e agora atuam também em outros setores, têm trabalhado para ajudar o mercado e acertar algumas questões específicas e muito importantes, como a padronização de tamanhos”.

Padronização é realmente a questão mais preocupante nesta categoria. A byMK, rede social focada em moda, apresentou um estudo sobre as tendências do e-commerce e os hábitos dos consumidores no segmento de moda online no brasil. O estudo revelou que 25% dos entrevistados afirmaram que dúvidas relacionadas ao caimento e modelagem da peça são entraves para que eles finalizem suas compras.

Leonardo Soares, Executivo de Internet, levantou algumas formas simples de superar esse obstáculo. “Hoje temos resultados que comprovam que mostrar o produto em um look em uma modelo leva a uma conversão maior do que se tivermos apenas uma foto “chapada” da roupa. Com essa aplicação, inclusive podemos aumentar a quantidade de itens por pedido com a sugestão de produtos combinados”.

No entanto, trabalhar com ensaios fotográficos requer planejamento, como afirmou o Hedley Martins, Analista de Compliance do Banco Rendimento. Segundo o especialista, ter modelos significa possuir uma estrutura grande por trás, uma agência que os comercializa, molda cenários e cria campanhas. Ter produtos disponíveis sem ensaios, também significa custos menores.

“Quem se dispõe a comprar roupas via internet tem motivadores que não são os mesmos de quem vai a uma loja. Arrisco até mesmo a dizer que quem opta por compras via internet é porque se sente muito mais a vontade do que ter que interagir com um vendedor que tenta lhe vender tudo que for possível”, afirma Martins. Ele completa: “no início da internet, muita gente tentou transferir o que tinha no tijolo direto para o virtual. Imagina o custo de colocar tudo que você tem para vender com modelos?”.

Atrelada ao problema da padronização está a possibilidade de ter que devolver a peça. O estudo da byMK mostra que 21% dos consumidores desistem de comprar roupas online por medo de não gostarem do resultado final e, assim, precisarem devolver o produto, entrando no fator “logística reversa”, que gera muitas dúvidas e desconfianças no consumidor, muitas vezes por não estar claro no site como isso funciona.

Além da padronização e da logística reversa, outros obstáculos também foram citados, tais como as plataformas web muito travadas, desenvolvidas para outros mercados, como o de eletrônicos, a falta de código de barras unitário e ainda o simples desconhecimento do cliente sobre suas medidas – 12% das pessoas não compram por desconhecerem o tamanho de suas roupas.

Apesar do crescimento acima de 100% nos últimos anos, o número de consumidores de moda ainda é pequeno perto dos quase 30 milhões de e-consumidores no Brasil. Há um mercado enorme para conquistar.

Fonte: E-commerce Brasil

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